LIMIARES DA UNIVERSIDADE: discussões sobre ações afirmativas, educação e diversidade

       O Simpósio “Limiares da Universidade”, que ocorreu na reitoria da UFBA durante os dias 15 e 16 de junho de 2010, debateu questões importantes para toda a comunidade acadêmica. Foi um espaço para fazer imersão em temas como ações afirmativas, educação e diversidade. O evento teve a  presença de estudiosos da instituição anfitriã e também os de outras universidades, como UNEB, USP e UNIPAZ.
     O primeiro dia foi marcado pela descontração da cantora, poetisa e atriz Elisa Lucinda. A artista abriu sua participação entoando versos da canção “Luz do Sol”, de Caetano Veloso. Ao longo do seu discurso falou, dentre outras coisas, sobre aspectos de etnia. Elisa foi categórica, fez reflexões sobre a situação dos negros no Brasil e afirmou em tom de lamento: ” O preconceito faz a gente desconhecer tanta coisa!”. No final, claro, declamou com competência algumas de suas poesias.
         Paula Barreto, coordenadora do Centro de Estudos Afro-Orientais da UFBA, fez parte da mesa-redonda “Ações afirmativas e Diversidade Étnico-Racial na Educação Superior” e apresentou algumas curiosidades sobre a temática. Por exemplo, a primeira universidade brasileira a implementar o sistema de cotas foi a UERJ (Universidade do Estado do Rio do Janeiro), em 2002. Na Bahia, no mesmo ano, a pioneira foi a UNEB (Universidade do Estado da Bahia). Outra singularidade é o fato de que as políticas de ações afirmativas não se limitam à reserva de vagas nas universidades, têm a ver também com a assistência estudantil.
       O último dia do simpósio trouxe discussões mais aprofundadas sobre os temas abordados.  A mesa-redonda de abertura, intitulada “Diversidade Religiosa e os Desafios da Convivência Universitária”, contou com a presença de Reginaldo  Prandi,  professor e doutor em sociologia pela USP. Autor de “Mitologia dos Orixás” e de outros livros que tratam sobre a sociologia das religiões, Prandi falou, basicamente, sobre as religiões afrobrasileiras.
       O debate acerca de gêneros e diversidade sexual dentro da universidade chamou a atenção da plateia, que reagiu com estranhamento ao ouvir alguns dados divulgados pelo professor Leandro Colling, doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia. Colling deu exemplos de frases como “Morte aos homossexuais!”, colocadas nas portas dos banheiros da UFBA e que denotam a prática da homofobia.
     A mesa-redonda “Panorama das Ações Afirmativas no Brasil: aspectos históricos e legalidade no cenário atual” foi coordenada pela professora Delcele Mascarenhas. O destaque da discussão ficou a cargo da vereadora Olívia Santana, que apresentou um discurso motivador para a autoestima do público afrodescendente e falou sobre os entraves políticos que dificultam a aprovação de projetos para aquele estrato social.
       A mesa “Inclusão de Pessoas com Deficiência e Educação: abordagem sobre acesso e permanência na universidade” teve a participação de Robenilson Nascimento dos Santos, e encerrou as discussões do simpósio. Robenilson falou sobre as dificuldades que enfrentou por conta de sua limitação (a cegueira) e de como buscou caminhos para se inserir socialmente. Hoje, ele é mestre em educação e contemporaneidade pela UNEB.
      Por fim, a cantora Juliana Ribeiro brindou o público do evento com um show que mostrou porque ela é um dos grandes nomes do samba brasileiro da nova geração.

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