Seminário da Pesquisa Faces do Brasil fala sobre a cobertura étnica nos impressos brasileiros


         Após a sanção da Lei Áurea que determinou o fim da escravidão e a alforriação de vários indivíduos, o dia 13 de maio se tornou uma data que, apesar de recorrentemente esquecida, é símbolo de resistência e remete a memória da população negra. Aproveitando o ensejo comemorativo, o grupo de pesquisa Etnomídia da Faculdade de Comunicação da UFBA revelou o produto parcial da pesquisa Faces do Brasil, na qual aborda o modo como os principais jornais e revistas do Brasil fazem a cobertura de grupos socialmente minoritários do país: negros, índios e ciganos. O seminário aconteceu nas imediações do Ceao (Centro de Estudos Afro-Orientais), localizado na praça 2 de Julho, no período matutino.

           O primeiro momento do seminário trouxe os dados referentes à pesquisa nas vozes dos bolsistas que, nos três últimos meses do ano passado, monitoraram os 24 principais veículos impressos do país. Dois membros da Agência Experimental, Daniele Rodrigues e Maria Garcia, fizeram parte desse processo. As impressões da cobertura dos jornais foram, assim, reveladas aos espectadores. Estes, posteriormente, externaram suas opiniões a respeito dos resultados, envolvendo os movimentos sociais e os direitos humanos. Esse momento se sucedeu enquanto estavam à mesa redonda os diretores Sérgio Costa e Ranulfo Bocayuva, dos veículos A Tarde e do Correio*, respectivamente. O professor Jocélio Teles também compôs a mesa. Um debate acalorado ocorreu e os diretores responderam de maneira defensiva. Comentaram membros do movimento negro, do DCE da UFBA, da comunidade de ciganos e moradores soteropolitanos que admitem se sentir prejudicados por essa cobertura dos jornais baianos, considerada violenta e pouco construtiva para a sociedade.

           Sérgio Costa declarou que o Correio* não foca na identificação racial das pessoas noticiadas, admitindo que foi uma triste coincidência a foto de um assassino negro na capa do jornal, próximo do dia 13 de maio de 2010. Ranulfo Bocayuva acredita que somos uma nação sendo construída e essas reclamações não devem ser feitas apenas aos meios de comunicação. Teles informou que houve uma mudança na forma como são tratados esses grupos minoritários em comparação a 50 anos atrás, devido a uma diminuição considerável no número de termos pejorativos. Além disso, vários representantes desses grupos começaram a ter mais visibilidade nesses veículos, a exemplo da coluna de Mãe Estela e Luiz Mott no jornal A Tarde. O seminário foi encerrado com muita satisfação dos envolvidos.


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