Segunda fase do Observatório

*por Carolina Leal

Estamos na segunda etapa de mapeamento do Observatório Universitário da Cultura Popular, 50 grupos mapeados e ainda me lembro do primeiro – a Banda Afro de Lata, formado por crianças que tocam percussão com instrumentos reciclados, tão lindas e tão disciplinadas.

O primeiro mapeamento aconteceu depois de sair da faculdade e esperar pelo ônibus debaixo do sol soteropolitano, descer um ponto depois do ponto correto, subir ladeira andando, entrar em escola errada e finalmente acertar!

Foi cheia de frisson que cheguei àquele ambiente ouvindo o som ritmado das crianças na percussão, e emocionada olhava para Natália e comentava o tempo inteiro “que coisa linda!”, “que trabalho lindo!”, “olha como eles obedecem o professor!”, “Nati, que lindo!”.

Ainda estava ansiosa com o que iria acontecer na hora da entrevista com a diretora da escola e com o regente do grupo, a gente tinha a preocupação de mostrar seriedade em nosso trabalho, em nos mostrar responsáveis.

Ontem mesmo visitei o único grupo de Zambiapunga de Salvador, e nem sabia o que era esta manifestação. Ouvimos atentas a história contada por Rita Motta, a idealizadora e coordenadora do grupo, e foi com tanta emoção que ela nos contou as realizações culturais e sociais deste projeto que, sinceramente, chorei.

Me senti tão realizada com este trabalho, em poder conhecer dia após dia saberes tão novos, tão ricos e tão distintos. Tomar chuva, sol de meio dia, correr atrás de ônibus para ainda assim pegá-lo cheio, para muitos poderia ser encarado como uma tortura acaba sendo gratificante quando nos encontramos com o grupo, ou com seus representantes para ouvirmos a sua história e como é que conseguem fazer espetáculos e atividades tão belas com tão poucos recursos, ou nenhum recurso na maioria das vezes.

Nos primeiros mapeamentos eu achava que aquelas borboletas na barriga eram só porque não tinha pegado o jeito da coisa ainda, mas, depois de ter mapeado tantos grupos, sinto a mão gelar da mesma forma quando peguei a caneta no primeiro encontro.

Daqui há um mês já é hora de cessar os mapeamentos e elaborar relatórios e artigo científico com os dados da nossa pesquisa, vai ser mais tranquilo o nosso trabalho, mas, bem menos prazeroso do que seria se ainda estivéssemos conhecendo as pessoas responsáveis por fazerem uma Salvador tão rica e ainda desconhecida por muitos.

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