Bate Folha: emoção e memórias no 3º dia de gravações

Texto de Mariana Gomes| Fotos de Elisama Correia

O terceiro dia de gravações do documentário pelo centenário do terreiro do Bate Folha aconteceu nesta quarta-feira (28). Dona Hilda, d. Olinda, d. Heda e Anália foram as entrevistadas da vez e compartilharam suas vivências na casa.

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Dona Hilda.

Hilda Santos, 85, foi a primeira entrevistada. Cresceu no terreiro e relembra as atividades que realizava na infância. “Trabalho de criança a gente se divertia apanhando o talo do dendê do coqueiro pra ir varrer o terreiro. Aí ajuntava as fogueirinhas, botava fogo.” Contou também sobre as diferenças entre os trabalhos feitos no Bate Folha quando era criança com os de hoje. “Agora tem geladeira, tem ferro elétrico, fogão a gás. Antigamente era o fogo econômico, fogo de lenha. O ferro de carvão.”

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Dona Olinda.

Olinda Sacramento, 78, começou a frequentar a casa aos 15 anos de idade. “Eu era muito nova. Tinha medo de vir só. Tinha um irmão que era deficiente. Ele vinha no jegue e eu vinha andando.” Para ela o terreiro foi como uma escola. Destaca a atividade de costureira, sendo responsável por roupas das festas. Porém, além de afazeres domésticos, aprendeu valores para a vida. “Aprendi a costurar, lavar, engomar… Aqui me ensinou muita coisa boa. Respeito aos mais velhos. Gostar das pessoas. A irmandade.”

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Dona Heda sendo entrevistada pelo professor José Roberto Severino.

Heda Leitão, 76, foi a terceira entrevistada. Diferente das outras três, encontrou o terreiro já adulta, aos 40 anos. “Cheguei pela dor”. Era kardecista e enfrentava problemas psicológicos sem quadro de melhora.  Hoje tem muito orgulho de dizer que faz parte do Bate Folha e elogia as festas da casa. “Aplaudidas em toda Salvador”.

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Anália durante a entrevista.

Anália Passos, 45, ‘fez santo’ há 16 anos, mas frequentava o Bate Folha desde a infância. Sua mãe é filha da casa iniciada há 58 anos. Anália relata que sua vida e seu temperamento mudaram por conta do acolhimento no terreiro. “Antes do axé não tinha nada”. Já enfrentou intolerância religiosa e conta como se defendeu em um dos casos. “Jesus me ama e Ogum também!”.  Elogios é o que não lhe sobra pelo terreiro. “Bate Folha é vida. Bate Folha é amor. Bate Folha é um crescimento intelectual.”

As entrevistas foram mediadas pelo professor José Roberto Severino e filmada pelo LabVideo em parceria com a Agência Experimental.

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