Mulheres em Salvador reivindicam um 8 de março para além de flores e elogios

Texto por Mariana Gomes | Fotos por Felipe Iruatã

Na tarde da última quarta-feira (08), Dia Internacional da Mulher, centenas de mulheres protestaram nas ruas de Salvador por mais respeito e liberdade. A manifestação, concentrada no centro da cidade, aconteceu em sintonia com protestos pelo mundo inteiro pela Global Women’s Strike (Parada Internacional das Mulheres). No aglomerado, cartazes reivindicavam pautas específicas contra discriminações tais quais o racismo, a LGBTTfobia e a gordofobia. 

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A manifestação teve o apoio de cerca de 1200 pessoas, de acordo com a convocação feita em uma rede social. Protestos como esses são o reflexo das intensas discussões sobre o empoderamento da mulher, que ganharam força com as mídias digitais. “Estamos mais esclarecidas pelo mundo todo, tanto que dizemos “chega de flores”, porque lugar de flor é na planta. O 8 de março é um pretexto para reivindicações. Há pouco para comemorar e muito para lutar”, evidencia Graciela Nathanson, professora e pesquisadora em Comunicação e Feminismo. “Eu queria mais. Queria que a gente se mobilizasse o mês todo, o ano todo e cada vez que matam uma de nós”, completa. 

A estudante da UFBA ( Universidade Federal da Bahia) Jenny Müller somou ao evento sua voz como mulher trans. “Vim hoje aqui lutar pela igualdade e também pela representação trans, porque em muitos movimentos feministas acabam se esquecendo desse ponto e a violência no Brasil contra mulheres trans é a maior do mundo”. 

Segundo a  Transgender Europe (TGEU), organização não governamental europeia que luta pela igualdade para pessoas trans, foram registrados 604 homicídios de transexuais no Brasil de 2008 a 2014. “Em momentos como esse nossas pautas tem que ser unidas para poder agregar e mudarmos a sociedade”, completa Muller.

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Presente na manifestação da capital baiana, Rita Santa Rita, pedagoga e membro do Grupo de Mulheres de Alto das Pombas, fundando em 1982, apontou a importância da luta contínua. “Nós mulheres do Grupo de Mulheres das Pombas iniciamos a resistência do movimento feminista na década de 70. Estar aqui hoje marca a trajetória de luta de libertação das mulheres”, afirma. 

Parada Internacional das Mulheres

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Em janeiro deste ano, intelectuais feministas das décadas de 1960 a 1980, como Angela Davis e Nancy Fraser, convocaram as mulheres para a Parada Internacional das Mulheres depois da caminhada de Washington contra a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos.

A chamada rememora a instituição do 8 de março como Dia Internacional da Mulher pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1975, uma homenagem feita ao grupo de  operárias da indústria têxtil mortas carbonizadas após reivindicarem melhores condições de trabalho e equiparação salarial, em Nova York no ano de 1911.

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