Encontro de samba de roda reúne grupos em distrito de Santo Amaro – BA

Por Rebeca Almeida

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Sambistas mirins. Foto: Aline Laranjeira/AECC

No último domingo, 30, aconteceu a oitava edição do encontro de samba de roda Raízes de Acupe, em Acupe, distrito de Santo Amaro – BA. O evento acontece anualmente e reúne grupos de diferentes regiões do estado e de estados vizinhos. A principal organizadora do evento é dona Joanice Fernandes, que começou a realizar o encontro por iniciativa própria.

Ronaldo Ros, auxiliar na organização do evento conta que conheceu o grupo através da ACCS (Atividade Curricular em Comunidade e Sociedade) Memória Social e identidades: audiovisual como tecnologia social em educação, em  2013. Na época ele era estudante da Escola de Música da UFBA.

Ele afirma que o evento evolui mais a cada edição. “Todo ano mais grupos vem participar. Começamos com quatro e este ano quinze confirmaram presença”. Além destes, os dois grupos locais, Raízes de Acupe mirim e adulto, se apresentaram no evento. Ros conta que o encontro acontece sem auxílio de editais, ao contrário de outras iniciativas semelhantes no estado. Os grupos convidados não recebem cachê, apenas transporte e almoço. “Mas o transporte sempre é doado”, explicou d. Joanice.

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Apesar das dificuldades, d. Joanice segue firme: “É uma coisa que eu faço porque eu gosto. Esse é um momento em que os grupos entram em contato e partilham a alegria”. A importância desse tipo de evento se dá como uma forma de colocar em contato diferentes grupos de samba de roda”.

 

Samba como resistência

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O samba de roda tem sua origem na Bahia, no século XIX. O estilo musical é de origem afro-brasileira e a dança está ligada à capoeira. É praticado em todo o estado mas se concentra mais na região do Recôncavo. Dessa forma,  um evento realizado em Acupe se justifica.  

O grupo Samba da Capela, da cidade de Conceição do Almeida – BA estava prestigiando o evento pela quarta vez. Fátima Cruz, coordenadora do grupo, ressaltou que preservar a cultura do samba de roda também é uma forma de resistência da cultura negra. “No samba de roda nós encontramos forças para lutar contra todas as adversidades que vem de encontro a nossa raça”.

 

Preservação da cultura

Outro convidado do VIII Raízes de Acupe, foi o  grupo Viola Rasgada, da cidade de Terra Nova – BA. Participando do evento pela segunda vez, o grupo trouxe cerca de dez pessoas para Acupe. Carlos César, coordenador do grupo, acredita na importância desse tipo de evento para promover o intercâmbio entre grupos e ressaltou a necessidade de se passar a cultura do samba de roda para as próximas gerações.

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Muitos sambadores são de fato pessoas de idade mais avançada, que já sambavam antes de se integrarem “oficialmente” à algum grupo. É o caso de dona Maria Domingos, que apenas ano passado passou a fazer parte do Viola Rasgada, a cerca de três anos, mas conta que já samba há mais de 20. Ela tem atualmente 68 anos de idade.

O grupo Vovó no Samba também evidencia a presença da terceira idade no samba de roda. O grupo possui esse nome porque a maior parte das integrantes são idosas. D. Josefa, idealizadora do grupo, conta que Vovó no Samba existe há cerca de vinte e oito anos. Entre os principais benefícios apontados pelas integrantes do grupo está as melhorias na saúde, uma vez que é importante para pessoas em idade mais avançada a prática de alguma atividade física.   

Por outro lado, para trazer mais jovens para o cenário, foi o grupo Raízes de Acupe – mirim, onde crianças e adolescentes tocam e dançam. A ideia é dar espaço para que os mais novos se interessem pela cultura em um espaço voltado para eles. O jovem João Victor conta que foi contagiado pelo ritmo: “quando eu ouvi o batuque meu coração me pediu para entrar, então eu entrei”.

 

Agenciadores Experimentais em Acupe

A Equipe da Agência Experimental em Comunicação e Cultura esteve este ano no evento de samba de roda Raízes de Acupe, mas essa não foi a primeira visita da AECC ao distrito de Santo Amaro – BA. Em 2013, integrantes da equipe anterior visitaram o lugar para realizar oficinas de fotografias com a comunidade e realizar entrevistas. (é possível compreender melhor essa visita neste post).

No entanto, esta foi a primeira visita da AECC com os agenciadores ingressos após 2015. Para a agenciadora Aline Laranjeira a experiência se tornou não só um marco para o início de sua vida universitária mas também como uma possibilidade de ampliar horizontes. “Enxerguei na minha viagem feita à Acupe como uma saída da zona de conforto, já que pude conhecer outras manifestações artísticas que eu não tinha conhecimento”, conta.

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