Empoderamento coletivo

A frente feminista que representa todas as estudantes da UFBA, busca realizar a pauta das mulheres através da coletividade exercida no grupo.

Por Álene Edriele

 

“Se cuida seu machista, a universidade vai ser toda feminista!”, era o grito da Frente Feminista da UFBA que poderia ser ouvido em todos os cantos da praça das artes, no campus Ondina. O ato realizado pelas mulheres da frente, ocorrido na primeira terça feira de setembro (4) convidava todas as docentes, discentes e servidoras da UFBA para reivindicar os seus direitos mediante aos casos de estupro e violência contra às mulheres que vêm ocorrendo nos últimos meses dentro da Universidade. O  que se escutava por parte da organização era um clamor para que o ambiente acadêmico seja de fato um lugar seguro para todas.

Caroline Anice, estudante de psicologia da UFBA, compõe a Frente Feminista desde 2014, ano do seu surgimento enquanto um espaço auto organizado. Ela conta que essa construção foi síntese de um encontro de mulheres estudantes da própria Universidade, o qual fez parte, realizado no mesmo ano. Porém, a luta é um processo histórico que há muito tempo vêm se fortalecendo. Sendo assim, 2014 não marcou o início efetivamente do embate provocado pelas estudantes da UFBA, mas sim, a reunião dos anseios de todas as estudantes dos diversos cursos e campus em prol de um objetivo: construir ações de enfrentamento. Por entender que o machismo e o patriarcado infiltrado na sociedade não deixam de fazer parte da UFBA – inserida nesse meio – Anice entende que caminhar junto com outras mulheres é um das principais formas para derrubar esses conceitos, bem como uma maneira de se fortalecer enquanto luta social.

IMG_0911

De acordo com Caroline, a Frente não se ocupa apenas com problemas relacionados à causa feminista de uma forma limitada. Desde que foi concretizada, atende a outras demandas sempre com o princípio de promover ações de enfrentamento. “Mais do que debates, que a gente se colocasse em ação e movimento. Tanto contra o machismo, compreendendo que a violência sobre o corpo e a vida das mulheres também se expressa através do racismo, da LBTfobia. Também são pautas nossas, porque a gente compreende que o patriarcado tem essas formas de oprimir, de silenciar o corpo das mulheres”. Parte do empenho exercido pelas universitárias que compõem a frente é fazer com que esse diálogo chegue para todas as mulheres ou grande parte delas, num cenário de mais de 40.000 estudantes espalhados pelos institutos. A forma que essa medida é impulsionada, se dá por meio de passagens em sala e postagens nas redes sociais que a composição possui, além de propiciar debates nas diversas partes da Universidade.

“Somos negras, indígenas, quilombolas, do interior, da capital, da periferia, cotistas, não cotistas, mães, trabalhadoras. Isso coloca um mundo de vivências e de demandas”, Anice.

Samira Soares entrou para frente feminista em 2015. A estudante do Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades, conta que perceber a existência de um movimento de mulheres bem organizado a fez querer estar na luta. Porém, Samira entende que é fundamental que mais mulheres se empenhem nessa construção promovida pelo grupo para gerar um empoderamento coletivo. A integrante da organização explica que para que esse enfrentamento chegue de fato a todas, é necessário que os mais diversos cursos, seja de exatas ou humanas, incorporem as demandas e as discussões sobre a violência de gênero, raça, classe, criando um espaço no qual todos debatem acerca da opressão, presente em todos os lugares.

IMG_1086

Da esquerda para direita, Caroline Anice e Samira Soares.

 

 

“As pautas feministas elas devem ser incorporadas em todos os cantos que tenham mulheres e que os homens sejam aliados à luta. Que eles compreendam que por mais que eles sejam beneficiados desse sistema que é o patriarcado, eles também devem estar ao nosso lado desconstruindo todos os privilégios, sobretudo nesse lugar de escuta, nesse lugar de luta ao nosso lado”, Soares.

A frente feminista da UFBA propõe isso, enfrentar. Não no formato de reuniões com uma periodicidade exata, mas propondo debates nos locais sempre que necessário. Levantando questões, batendo latas, mobilizando através de atos, exercendo o papel fundamental, gritar pelos quatro cantos quais são os direitos que a mulher possui. Esse papel também é entender que existem inúmeras particularidades, feminismos, sem passar por cima daquilo que agrega, e compreender que o cenário atual já proporcionou mudanças, mas ainda carece delas. A Frente Feminista da UFBA existe para que haja um espaço coletivo igualitário onde os corpos e a infinidade existente em cada mulher possa ser respeitada.

Comenta aí...

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s